Por Cássia Borges
Devia existir um curso sobre como lidar com minorias. O lado das minorias sempre é levado em consideração, tudo é entendido, compreendido, eles sempre são defendidos por enxuradas de conceitos éticos pré estabelecidos, sempre existe algum tipo de cota que as favoreça, e assim por diante... Mas ninguém nunca vê o outro lado, o das pessoas que ficam desconfortáveis, ou até mesmo constrangidas diante de situações inusitadas. Não se discute que as citadas minorias sofrem vários contratempos e dificuldades, e que o mundo e a vida que para os ditos "normais" (Opsss... Esse termo não é ético, né? Eu sei, foi mal...) já são tão difíceis, para pessoas com deficiência, por exemplo se tornam até mesmo cruéis. O X da questão é que essas dificuldades acabam sendo justificativa para várias coisas, ao passo que se tornam uma dificuldade enorme para quem se encontra do outro lado da moeda, para quem se expõe a julgamentos muitas vezes injustos ou prematuros pelo menos.
Outro dia um anão pediu pra me conhecer e dançar comigo em uma festa (forró, tah?!)... Ninguém sai de casa e pensa: "Se um anão der em cima de mim eu vou..."
Mas enfim... Diante de tal situação, você primeiro pensa em qual seria sua atitude normalmente! De repente fazer pouco caso, não dar atenção, sei lá... Mas poxa, “o cara é anão, coitado!” Vc passa a ser o monstro, o preconceituoso, o desumano.
Se por outro lado, você resolve ser simpático e atencioso, você está adotando esta postura por solidariede, por pena, bondade, sei lá... Por que enfim, “o cara é anão, coitado...” Deve passar por poucas e boas, não custa dar um pouco de atenção. Para mim, uma atitude igualmente preconceituosa, embora hipocritamente mais bem aceita e mais exaltada pela sociedade.
E se por fim, você opta por adotar um comportamento normal, de pessoa desprendida e normalmente bem resolvida que é... E acha que não há problemas em conhecer, ou até mesmo dançar com um anão, surgem questões práticas a serem resolvidas: Como se comportar?! A dúvida começa na hora da apresentação... Você se ajoelha, se abaixa, faz o que afinal? E pra dançar, você pega o cara no colo ou algo parecido?!? De repente ele sobe nos seus pés?! Ou se agarra ao seu joelho... Eu, hein? Sinceramente não consigo imaginar como seria isso! Embora ninguém pare para pensar, é complicado! Enquanto ele tem o álibi de ser uma minoria, e tem sua limitação como justificativa, nós na condição de companhia (e a princípio a parte privilegiada da história), somos julgados o tempo todo, estando expostos a todo momento. Um simples deslize e vamos pra casa com uma dor na consciência violenta. Mas ninguém vai dar importância... Vão estar muito emocionados e sensibilizados com o coitado do anão que foi pra casa humilhado e desiludido com a sua condição. E a culpa foi toda nossa...
Devia existir um curso sobre como lidar com as minorias...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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